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Para dizer "NÃO À GUERRA"

2003-02-05
Eduardo Galeano


15 de fevereiro, repúdio à guerra

O presidente do planeta anuncia seu próximo crime em nome de Deus e da democracia. Assim calunia Deus. E calunia, também, a democracia, que a duras penas sobreviveu no mundo, apesar das ditaduras que, há mais de um século, os Estados Unidos vem semeando em todos os lugares

O governo de Bush, que mais do que governo é um oleoduto, precisa se apossar da segunda reserva mundial de petróleo, que jaz no subsolo do Iraque. Além disso, precisa justificar a dinheirama de seus gastos militares e precisa expor no campo de batalha os últimos modelos de sua indústria armamentista

É disso que se trata. O resto é pretexto. E os pretextos para esta próxima carnificina ofendem a inteligência. O único país que usou armas nucleares contra a população civil, o país que descarregou as bombas atômicas que aniquilaram Hiroshima e Nagasaki, pretende nos convencer de que o Iraque é um perigo para a humanidade. Se o presidente Bush ama tanto a humanidade e realmente quer conjurar a mais grave ameaça de que padece a humanidade, por que não bombardeia a si mesmo, ao invés de planejar um novo extermínio de povos inocentes? Imensas manifestações invadirão as ruas do mundo neste 15 de fevereiro. A humanidade já não suporta que seus assassinos a usem como desculpa. E já não suporta chorar seus mortos ao fim de cada guerra: desta vez quer impedir a guerra que vai matá-los.

* O uruguaio Eduardo Galeano é escritor, autor de "As veias abertas da América Latina"

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